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Os maiores errors de pronúncia e como evitá-los

  • Foto do escritor: Guilherme Granadeiro
    Guilherme Granadeiro
  • 24 de set. de 2025
  • 5 min de leitura

Você quer aprofundar a sua pronúncia em inglês, focando nos pontos que mais desafiam os falantes de português? É um passo fundamental para a fluência e a confiança. A boa notícia é que muitos dos erros de pronúncia mais comuns não são aleatórios, mas sim padrões previsíveis, enraizados na nossa própria língua. Entender o porquê de cometê-los é o primeiro passo para corrigi-los de forma eficaz.

Preparei um guia completo para você. Aqui, vamos desvendar os dois maiores desafios de pronúncia para brasileiros e, mais importante, mostrar exatamente como superá-los com base em princípios da linguística e da fonética. Este post é ideal para quem quer uma abordagem clara e fundamentada para aprimorar sua fala e ser entendido com mais clareza.

Não ser compreendido pode ser frustrante
Não ser compreendido pode ser frustrante

A Pronúncia do Inglês para Brasileiros: Os Dois Maiores Desafios Fonéticos


Muitos estudantes brasileiros de inglês se sentem frustrados com a pronúncia. Palavras que parecem simples acabam soando de forma diferente do que se ouve de um nativo, levando a mal-entendidos. A razão para isso reside no que os linguistas chamam de "interferência fonética" ou "transferência negativa". Essencialmente, nosso cérebro, acostumado com a forma como o português organiza os sons, tenta aplicar as mesmas regras ao inglês. No entanto, o inglês possui um conjunto de sons (fonemas) que simplesmente não existem no português, causando esses "erros" de pronúncia.

Para o falante de português, dois desses sons são particularmente problemáticos e, ao mesmo tempo, os mais importantes de serem dominados para uma pronúncia clara: as vogais curtas e longas (especificamente o par /ɪ/ e /i:/) e o som do "th". Vamos mergulhar em cada um deles.


Erro #1: A Confusão entre as Vogais /ɪ/ e /i:/


Se você já foi corrigido por dizer "sheep" (ovelha) quando queria dizer "ship" (navio), você já se deparou com este problema. No português, a vogal "i" é um som único e estável. No inglês, essa mesma letra pode representar dois fonemas completamente diferentes, o que é uma das principais fontes de confusão.

O som /i:/ (como em eat, sheep) é longo e tenso. Para produzi-lo, a boca se estica em um leve sorriso, e a língua fica alta e próxima ao céu da boca. Já o som /ɪ/ (como em it, ship) é curto e relaxado. A boca e os músculos faciais devem estar relaxados, quase como se você estivesse prestes a dizer um "e" rápido, mas com um som de "i".

A ciência da linguagem nos mostra que a nossa capacidade de distinguir novos sons diminui à medida que o cérebro se especializa na nossa língua materna. Esse processo é conhecido como "redução perceptiva fonêmica". A neurologista e linguista Dra. Patricia Kuhl, em suas famosas pesquisas com bebês, demonstrou que, até o primeiro ano de vida, os bebês são "cidadãos do mundo" e podem distinguir todos os sons de todas as línguas. No entanto, com a exposição crescente à língua materna, eles perdem essa capacidade e passam a filtrar os sons que não são relevantes para sua própria língua.

Para o falante de português, o cérebro agrupa tanto o som de /ɪ/ quanto o som de /i:/ na mesma "caixinha" mental do "i", pois o português não faz essa distinção fonológica. O resultado é que, muitas vezes, o cérebro não só não distingue os dois sons, como também tem dificuldade em produzi-los, optando pelo som mais familiar e longo.


Como Corrigir:

A chave para superar essa dificuldade é treinar o seu ouvido e a sua boca para reconhecer e produzir a diferença.

  1. Ouça e Repita Pares Mínimos: Os pares mínimos são a ferramenta mais eficaz. Eles são pares de palavras que se distinguem por um único som. Repita-os em voz alta e grave-se para comparar.

    • hit / heat

    • ship / sheep

    • live / leave

    • fill / feel

  2. Sinta a Diferença: Preste atenção à sensação na sua boca. O som /i:/ é produzido com a língua alta e esticada, enquanto o som /ɪ/ é mais relaxado e a língua fica um pouco mais baixa e centralizada. Pratique em frente ao espelho, observando a sua boca.

  3. Use Contexto: Pratique frases inteiras para contextualizar o som. Por exemplo: "I live in a big city" versus "Don't leave without saying goodbye".


Erro #2: O Desafio do "TH"


O som do "th" é o segundo obstáculo mais comum para brasileiros. Como o som /θ/ (sem voz, como em think) e o som /ð/ (com voz, como em that) não existem em português, o falante tende a substituí-los pelo som mais próximo que ele conhece: o "t", "d" ou até mesmo o "f" em algumas regiões.

Este erro é um exemplo clássico de substituição fonêmica. O cérebro, confrontado com um som que não pertence ao seu sistema fonológico, o substitui pelo som mais parecido que já está "programado".

A diferença fisiológica é significativa. Para sons como o "t" ou o "d" em português, a ponta da língua toca os dentes superiores ou o céu da boca. Para o "th" do inglês, a ponta da língua deve estar entre os dentes da frente, levemente para fora da boca. Ao empurrar o ar, uma fricção é criada, produzindo o som característico. A falta de prática com essa posição da língua faz com que o cérebro evite o movimento e opte pelo som mais fácil de produzir.

Repare na posição da língua. ligeiramenter após os dentes sendo tocada levemente por ambos os dentes superiores e inferiores.
Repare na posição da língua. ligeiramenter após os dentes sendo tocada levemente por ambos os dentes superiores e inferiores.

Como Corrigir:

  1. Aprenda o Movimento: Comece com o movimento da língua. Vá até um espelho e coloque a ponta da sua língua para fora, entre os dentes superiores e inferiores. Não precisa ser muito para fora, apenas o suficiente para que o ar passe.

  2. Pratique os Dois Sons:

    • "TH" sem voz (/θ/): A língua entre os dentes, e você sopra ar por cima dela, sem vibrar as cordas vocais. Imagine que você está fazendo um som de "sopro". Pratique com palavras como: think, thanks, thing.

    • "TH" com voz (/ð/): A língua na mesma posição, mas agora você vibra as cordas vocais. O som é como o do "z" em português, mas com a língua entre os dentes. Pratique com palavras como: that, the, this.

  3. Evite Substituir: Tenha a consciência de evitar a substituição. Se você diz "tink" em vez de "think", pare, corrija o movimento da língua e repita a palavra.


Por Que Dominar a Pronúncia é Essencial


Aprimorar esses sons não é uma questão de imitar um sotaque nativo, mas sim de garantir que sua mensagem seja recebida com clareza. Ao dominar as vogais e o "th", você reduz significativamente o risco de ser mal interpretado e, mais importante, ganha a confiança necessária para se comunicar de forma mais fluida e segura. É um investimento no seu desenvolvimento como falante da língua inglesa.

A jornada para uma pronúncia clara é um processo contínuo de conscientização e prática. Comece com estes dois pontos e você verá uma melhora notável na sua capacidade de se comunicar em inglês. E aí, quais outras dificuldades de prnúncia você gostaria de ver? Deixe nos comentários!

 
 
 

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